Arqueogenealogia Bajubeira : uma análise da narrativa de si como técnica de subjetivação
Pedro Anácio Camarano
Tese
Português
Guarapuava, PR, 2025.
204 f.
(Doutorado em Letras) - Programa de Pós Graduação em Letras, Universidade Estadual do Centro-Oeste
Esta tese dá continuidade à pesquisa desenvolvida no mestrado, cujo objetivo foi analisar o bajubá como prática de resistência frente ao dispositivo heterocisnormativo. Àquela altura, concluiu-se que a resistência bajubeira se efetiva por meio de interligadas práticas de escape, como o uso...
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Esta tese dá continuidade à pesquisa desenvolvida no mestrado, cujo objetivo foi analisar o bajubá como prática de resistência frente ao dispositivo heterocisnormativo. Àquela altura, concluiu-se que a resistência bajubeira se efetiva por meio de interligadas práticas de escape, como o uso excêntrico da linguagem, a performance subversiva das expressões de gênero, a contravenção das normas sexuais e o escárnio das condutas hegemônicas. Para além disso, os resultados daquela etapa apontaram que o bajubá é uma poderosa técnica de subjetivação. É a partir dessa constatação que esta investigação se desenvolve,
buscando compreender como a narrativa de si bajubeira atua discursivamente enquanto técnica de subjetivação. Para tanto, adota-se a arqueogenealogia (dispositivo teórico-metodológico fundado nos Estudos Discursivos Foucaultianos) atravessada por deslocamentos que operam na chave epistêmica por
meio de uma objetividade localizada. Nesse sentido, há um tensionamento da arqueogenealogia, a partir de aportes teóricos que incluem outras ferramentas analíticas além das engendradas por Michel Foucault, tais como formação histórica (Gilles Deleuze), interseccionalidade (Kimberlé Crenshaw), habitus (Pierre Bourdieu), sistema sexo-gênero (Gayle Rubin), tecnologias de gênero (Teresa de Lauretis), empoderamento (Paulo Freire), lugar de fala (Djamila Ribeiro) e dispositivo heterocisnormativo (Pedro Camarano). Esse gesto configura uma cientificidade dissidente, sustentada por uma verve crítica e
posicionamento teórico-metodológico sublevado. O corpus analítico é constituído por séries de séries enunciativas relacionadas ao acontecimento discursivo da publicação do livro A construção de mim mesma, da escritora Letícia Lanz. A partir da análise, observa-se como o dispositivo heterocisnormativo atua sobre
as subjetividades em desacordo com o sistema sexo-gênero e como a narrativa de si bajubeira se apresenta
como prática de liberdade. Os resultados apontam que a narrativa de si bajubeira promove fissuras nos
processos de sujeição e contribui para a emergência de subjetividades constituídas em elaboração
(est)éticas. Com isso, a pesquisa defende que práticas pedagógicas ancoradas nessas narrativas podem
fomentar o empoderamento de sujeitos subalternizados e viabilizar uma educação como prática de liberdade. Ver menos
buscando compreender como a narrativa de si bajubeira atua discursivamente enquanto técnica de subjetivação. Para tanto, adota-se a arqueogenealogia (dispositivo teórico-metodológico fundado nos Estudos Discursivos Foucaultianos) atravessada por deslocamentos que operam na chave epistêmica por
meio de uma objetividade localizada. Nesse sentido, há um tensionamento da arqueogenealogia, a partir de aportes teóricos que incluem outras ferramentas analíticas além das engendradas por Michel Foucault, tais como formação histórica (Gilles Deleuze), interseccionalidade (Kimberlé Crenshaw), habitus (Pierre Bourdieu), sistema sexo-gênero (Gayle Rubin), tecnologias de gênero (Teresa de Lauretis), empoderamento (Paulo Freire), lugar de fala (Djamila Ribeiro) e dispositivo heterocisnormativo (Pedro Camarano). Esse gesto configura uma cientificidade dissidente, sustentada por uma verve crítica e
posicionamento teórico-metodológico sublevado. O corpus analítico é constituído por séries de séries enunciativas relacionadas ao acontecimento discursivo da publicação do livro A construção de mim mesma, da escritora Letícia Lanz. A partir da análise, observa-se como o dispositivo heterocisnormativo atua sobre
as subjetividades em desacordo com o sistema sexo-gênero e como a narrativa de si bajubeira se apresenta
como prática de liberdade. Os resultados apontam que a narrativa de si bajubeira promove fissuras nos
processos de sujeição e contribui para a emergência de subjetividades constituídas em elaboração
(est)éticas. Com isso, a pesquisa defende que práticas pedagógicas ancoradas nessas narrativas podem
fomentar o empoderamento de sujeitos subalternizados e viabilizar uma educação como prática de liberdade. Ver menos
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES
Acesso Aberto
Unicentro - Departamento de Letras
Profa. Dra. Denise Gabriel Witzel
Orientador
Oliveira, João Manuel Calhau de
Supervisor
VENTURINI, Maria Cleci
Banca examinadora
PINHEIRO, Neide Garcia
Banca examinadora
Campos, Jefferson Gustavo dos Santos
Banca examinadora
Borges, Guilherme Figueira
Banca examinadora
Arqueogenealogia Bajubeira : uma análise da narrativa de si como técnica de subjetivação
Pedro Anácio Camarano
Arqueogenealogia Bajubeira : uma análise da narrativa de si como técnica de subjetivação
Pedro Anácio Camarano